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Os candidatos ao governo do Ceará, Elmano de Freitas (PT) e Ciro Gomes (PSDB), protagonizaram, na quarta-feira (9), o debate mais tenso da campanha. O confronto, realizado pelo Sistema Verdes Mares, foi marcado por acusações de corrupção, nepotismo e supostas ligações com o crime organizado.
O momento de maior tensão ocorreu durante uma discussão sobre investigações envolvendo aliados. Os dois candidatos se aproximaram no estúdio, apontaram o dedo um para o rosto do outro e precisaram ser contidos pelo mediador, Inácio Aguiar.
“Vai ficar aqui na sua cara”, disse Ciro.
“Baixe seu dedo”, respondeu Elmano.
O mediador interrompeu a contagem do tempo e aguardou até que os ânimos se acalmassem. Na sequência, os dois candidatos solicitaram direito de resposta.
Acusações de corrupção e nepotismo
No primeiro bloco, Ciro acusou Elmano de ter destinado quase R$ 50 milhões ao Instituto Mirante, ligado a Tiago Santana, irmão do ministro Camilo Santana, sem licitação.
“Você não acha isso, Elmano, um extraordinário exemplo de nepotismo e corrupção?”, questionou o candidato do PSDB.
Elmano negou a acusação e afirmou que o modelo de organizações sociais para administrar equipamentos públicos existe no Ceará desde o governo Tasso Jereissati. Como exemplo, citou o Instituto Dragão do Mar.
O petista também defendeu a escolha de Tiago Santana para administrar o Centro Cultural do Cariri e destacou o reconhecimento nacional obtido pela programação do equipamento.
Na resposta, Elmano citou a atuação de Ciro como secretário da Saúde durante o governo de Cid Gomes, período em que, segundo ele, o tucano administrou mais de R$ 3 bilhões em recursos públicos.
“Já eu contratar alguém especializado na área, um artista reconhecido, aí você quer questionar”, rebateu Elmano.
Crime organizado entra no confronto
Outro tema que elevou a temperatura do debate foi o caso do ex-prefeito de Choró, Bebeto Queiroz, que está foragido e é alvo de investigação da Polícia Federal.
Ciro afirmou que o ex-prefeito teria financiado políticos com recursos provenientes de facções criminosas e questionou Elmano sobre o caso.
O candidato também afirmou que um aliado de Bebeto havia sido preso na terça-feira (8), em Fortaleza.
Elmano foi até o centro do estúdio para responder e afirmou que o PT foi responsável pela ação que resultou na cassação e na inelegibilidade do ex-prefeito.
Em seguida, contra-atacou Ciro:
“Sabe quem é o escritório que faz a defesa do Bebeto do Choró na Justiça? É o André Fernandes e o Capitão Wagner que pagam esse escritório”, afirmou.
Ciro rebateu dizendo que Elmano “mente que nem teme” e voltou a afirmar que Bebeto de Choró está foragido há quase dois anos.
Mais acusações entre os candidatos
A troca de acusações continuou ao longo do debate. Ciro afirmou que Elmano teria destinado R$ 40 milhões a Yury do Paredão e Júnior Mano por meio de “associações fantasmas” e disse que os dois seriam investigados pela Polícia Federal.
Elmano classificou a declaração como mentira.
“É mentira que os dois estão respondendo por inquérito na Polícia Federal? Diga de novo que é mentira”, provocou Ciro.
“É mentira sua que se tem comprovação de desvio”, respondeu Elmano, fazendo uma distinção entre a existência de uma investigação e a comprovação de irregularidades.
O debate não esclareceu o estágio atual das investigações citadas pelos candidatos.
Elmano também mencionou o caso de Adail Carneiro e afirmou que ele teria sido “pego com R$ 2 milhões”. Ciro respondeu que Carneiro foi absolvido.
O confronto entre os dois candidatos foi marcado por sucessivas acusações e respostas, em um dos momentos mais acalorados da disputa pelo Governo do Ceará no primeiro turno.