Coronel Margarida Brandão Fernandes, filha do jornalista uiraunense, João Bosco Fernandes: uma trajetória de pioneirismo e superação - BLOG DO GERALDO ANDRADE

Coronel Margarida Brandão Fernandes, filha do jornalista uiraunense, João Bosco Fernandes: uma trajetória de pioneirismo e superação

 


Da primeira turma de mulheres da PMRN ao posto de coronel, Margarida Brandão Fernandes de Araújo construiu uma história marcada pela liderança, educação e enfrentamento ao preconceito. A trajetória da Coronel PM Margarida Brandão Fernandes de Araújo se confunde com a própria história da presença feminina na Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte. Ao ingressar na corporação no início da década de 1990, ela ajudou a abrir caminhos para as mulheres em uma instituição tradicionalmente dominada por homens.


Anos depois, tornou-se a primeira mulher da PMRN a percorrer toda a carreira, de soldado a coronel.


A Coronel Margarida Brandão Fernandes de Araújo, uma das pioneiras da Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte é a Coordenadora de Segurança da Governadoria do RN. A Coronel Margarida Brandão Fernandes de Araújo nasceu em Natal-RN. 


Filha do jornalista uiraunense, João Bosco Fernandes falecido em 1976 e da professora Maria Wilma Brandão Fernandes nascida em Doutor Severiano-RN. É casada com o Coronel PM, Arthur Emílio Monteiro de Araújo e mãe de duas filhas Luiza Brandão  e Larissa Brandão. 

Jornalista João Bosco Fernandes "in memoriam"

Coronel Margarida Brandão Fernandes de Araújo é neta de Dr. Alexandre Fernandes e Dona Véscia Fernandes. É prima do ex-professor dos cursos de Direito e Filosofia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e ex-procurador da Paraíba, Dr. João Bosco Fernandes. Dr. João Bosco Fernandes foi procurador do Estado da Paraíba na gestão do governador Tarcísio Burity, entre 1987 e 1991 “in memoriam”. 


Coronel Margarida Brandão Fernandes de Araújo é prima da Doutora em Direito Ambiental pela Universidade de Salamanca – Espanha, Ex-Secretária do Meio Ambiente no Município de Conde-PB na gestão da ex-prefeita Márcia de Figueiredo Lucena Lira e Analista Administrativo, da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Dra. Vescijudith Fernandes Moreira.


É graduada em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). É Bacharela em Segurança Pública, e pós-graduada em Técnicas de Ensino e formação no Curso Superior de Polícia. Estudou nas Escolas Estaduais Manuel Dantas e no Sebastião Fernandes de Oliveira, escolas tradicionais no bairro de Tirol em Natal. 


O primeiro passo para uma carreira que se tornaria histórica ocorreu ainda jovem. Em 1989, Margarida havia sido aprovada em concurso para a rede pública de ensino do Rio Grande do Norte, mas surgiu uma oportunidade que mudaria decisivamente sua vida: o primeiro concurso da PMRN com vagas destinadas às mulheres. 


A música também teve influência em sua decisão. Segundo relatos da própria coronel, seu interesse inicial era ingressar na corporação para atuar na banda de música da Polícia Militar. O destino, porém, reservava uma trajetória muito maior dentro da instituição.


Em 11 de setembro de 1990, Margarida ingressou na PMRN, integrando a primeira turma de mulheres do Curso de Formação de Soldados. Começava ali uma trajetória que a levaria, ao longo de décadas, por diferentes postos da carreira policial militar. Enfrentando o preconceito.


Os primeiros anos na Polícia Militar foram marcados por dificuldades. Margarida encontrou um ambiente predominantemente masculino e precisou enfrentar manifestações de preconceito e machismo. Mesmo diante das dificuldades, permaneceu na corporação e transformou os obstáculos em motivação para avançar profissionalmente. Sua trajetória tornou-se, deste modo, um símbolo da conquista de espaço pelas mulheres na segurança pública potiguar.


Depois de atuar como soldado, Margarida ingressou no Curso de Formação de Oficiais (CFO), passando a construir sua carreira como oficial da PMRN. Ao longo dos anos, alcançou sucessivamente os postos de segundo-tenente, primeiro-tenente, capitã, major, tenente-coronel e, finalmente, coronel.


Uma das principais referências do PROERD no RN


O Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD) tornou-se um dos capítulos mais importantes da trajetória da Coronel Margarida. O programa foi implantado no Rio Grande do Norte em 2002. Margarida assumiu a coordenação estadual em 2003, permanecendo na função até 2015, período em que teve participação decisiva na expansão e consolidação das ações preventivas junto às escolas potiguares. O próprio Diário Oficial do Estado registra sua atuação como coordenadora do PROERD entre 2003 e 2015.


Durante esse período, sua atuação ultrapassou as fronteiras do Rio Grande do Norte. Coronel Margarida participou de cursos, capacitações e atividades relacionadas à formação de instrutores do PROERD em outros estados brasileiros, contribuindo para a disseminação da metodologia de prevenção às drogas e à violência. 


O trabalho aproximou a Polícia Militar das escolas e das famílias, utilizando a educação como instrumento de prevenção e cidadania.


Reconhecimento e consolidação da carreira


O pioneirismo de Margarida foi reconhecido dentro e fora da corporação. Em 2022, o Governo do Rio Grande do Norte concedeu-lhe a Medalha Policial Militar com passador de ouro, em razão de seus 30 anos de bons e efetivos serviços prestados à Polícia Militar. 


Segurança institucional


 Em 2026, a Coronel Margarida passou a exercer a função de coordenadora de segurança da Governadoria do Governo do Rio Grande do Norte, atuando na segurança institucional da sede do Governo e de 

autoridades. A função representa mais um capítulo de sua longa carreira dedicada à segurança pública.


A história da Coronel Margarida Brandão Fernandes de Araújo ultrapassa a conquista de um posto na hierarquia militar. Sua trajetória representa uma transformação na própria participação feminina na segurança pública do Rio Grande do Norte.


Da jovem que ingressou na primeira turma de mulheres da PMRN, em 1990, à coronel que percorreu todos os postos da carreira, Margarida construiu uma história marcada por disciplina, perseverança, liderança, educação e superação. 


Sua passagem pelo PROERD ampliou ainda mais o alcance de seu trabalho, aproximando polícia, escola e família na prevenção às drogas e à violência. Ao chegar ao posto de coronel, consolidou-se como uma das principais referências femininas da Polícia Militar potiguar.


A Coronel Margarida Brandão Fernandes de Araújo passa a integrar o seleto grupo de mulheres que fazem história na Polícia Militar do Rio Grande do Norte, tornando-se referência de profissionalismo, responsabilidade e espírito público. 


Coronel Margarida Brandão é, portanto, parte da história da Polícia Militar do Rio Grande do Norte e um exemplo de que a quebra de barreiras institucionais pode abrir caminhos para gerações de mulheres que vieram depois dela.







Abdias Duque de Abrantes Advogado, jornalista, servidor público, graduado em Jornalismo e Direito pela UFPB e pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho pela Universidade Potiguar (UnP), que integra a Laureate International Universities.



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