A guinada conservadora na América do Sul, intensificada pelas posses presidenciais de Keiko Fujimori, no Peru, em 28 de julho, e de Abelardo de la Espriella, na Colômbia, em 7 de agosto, pode influenciar o processo eleitoral brasileiro em 2026, segundo avaliação de especialistas ouvidos pelo R7.
Nos países vizinhos, o debate político focado em pautas como a segurança pública e política externa — temas tradicionalmente associados à direita — ajuda a explicar a ascensão de nomes conservadores. O movimento contrasta com o cenário visto durante as eleições de 2022, quando governos de esquerda tinham maior presença entre as nações sul-americanas.
Atualmente, o mapa político na América do Sul se encontra assim:
Atualmente, a direita governa sete países na América do Sul, enquanto a esquerda comanda outros cinco
Luce Costa/Arte R7
Para o cientista político Leandro Gabiati, diretor da consultoria Dominium, os resultados das eleições recentes no Peru e na Colômbia se relacionam com a apresentação de respostas mais duras para o avanço da criminalidade.
“O contexto em torno da segurança pública é real: as vitórias de Abelardo de la Espriella na Colômbia e de Keiko Fujimori no Peru se explicam, em boa parte, a partir de posições duras para dar resposta às questões sobre segurança. De fato, há uma agenda comum de segurança entre os candidatos de direita”, avalia.
Gabiati acredita que o fenômeno também está relacionado ao desgaste de administrações de esquerda, que, segundo ele, “não têm conseguido atingir resultados satisfatórios na visão da maioria da sociedade”.
Apesar da força da pauta de segurança, o cientista político ressalta que a economia deve continuar tendo papel central nas eleições.
Fator Milei
A professora de Relações Internacionais e Economia da PUC-PR Ludmila Culpi afirma que o cenário sul-americano mudou de maneira significativa, principalmente após a eleição de Javier Milei na Argentina.
“Existem diferentes pontos de vista, e é necessário definir o equilíbrio entre as diferentes leituras políticas em disputa. O tabuleiro sul-americano mudou de forma visível nos últimos dois anos, com a eleição de Milei, na Argentina, e em outros países, que elegeram líderes liberais-conservadores”, observa.
Segundo a especialista, o movimento já é levado em consideração pelo mercado financeiro internacional e cria uma espécie de expectativa e validação regional que, agora, pode atingir o Brasil.
Leia Mais
Keiko Fujimori é declarada vencedora da eleição presidencial do Peru
Abelardo de la Espriella: quem é o candidato de direita que será o novo presidente da Colômbia
Pesquisa revela que maioria absoluta dos argentinos desaprova ataques de Milei contra Lula
Ela explica que, para os candidatos de direita e centro-direita, como Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, a guinada conservadora pode ser utilizada como argumento de que o país estaria acompanhando uma tendência continental.
Na avaliação de Ludmila Culpi, o cenário abre espaço para um alinhamento com governos como os dos Estados Unidos e da Argentina e para a tentativa de apresentar a eleição brasileira como parte de uma transformação política mais ampla da região.
Ela aponta, entretanto, que a política externa não deve substituir os temas tradicionalmente determinantes para o eleitor brasileiro.
“A política externa ganhou um protagonismo incomum e entrou de forma inédita no debate eleitoral. [...] Porém, tradicionalmente, as eleições presidenciais no Brasil são definidas por temas ligados ao cotidiano, por exemplo: inflação, nível de emprego, renda, saúde, segurança, ou seja, qualidade de vida atrelada a temas sociais e econômicos”, pontua.
Fonte: R7