A ofensiva do governo dos Estados Unidos contra o Pix é interpretada por autoridades brasileiras como um sinal direcionado a países que avaliam adotar sistemas de pagamento instantâneo inspirados no modelo desenvolvido pelo Banco Central do Brasil.
Em relatório divulgado nesta terça-feira (2), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) apontou suposta vantagem concedida pelo Banco Central ao Pix em relação a outros meios de pagamento. O documento integra uma investigação comercial conduzida pela gestão do presidente Donald Trump.
Nos bastidores, representantes do governo brasileiro avaliam que as críticas refletem a pressão exercida por empresas do setor de cartões de crédito e pela indústria de stablecoins, que veem o avanço do Pix como uma ameaça ao modelo tradicional de pagamentos.
Interesse internacional no Pix
O sistema brasileiro tem despertado interesse de diversos países da América Latina. A Colômbia é considerada o caso mais avançado, após lançar, em outubro de 2025, o Bre-B, plataforma de pagamentos instantâneos baseada em conceitos semelhantes aos do Pix. Peru, Chile e México também estudam iniciativas inspiradas na experiência brasileira.
Em abril deste ano, o presidente colombiano, Gustavo Petro, saiu em defesa do Pix nas redes sociais e sugeriu a adoção de um sistema semelhante em seu país após críticas feitas pela Casa Branca ao modelo brasileiro.
A expansão internacional da tecnologia já fazia parte dos planos do Banco Central desde a gestão do ex-presidente Roberto Campos Neto. Segundo ele, países como Colômbia, Peru e Uruguai demonstraram interesse em desenvolver plataformas semelhantes devido ao baixo custo de implementação e à eficiência do sistema.
Proteção institucional e argumentos brasileiros
Diante das críticas americanas, autoridades brasileiras buscaram fortalecer a proteção institucional do Pix. Em 2025, durante a tramitação da proposta de autonomia financeira e orçamentária do Banco Central, foi incluído um dispositivo que atribui exclusivamente à autarquia a regulação e operação do sistema.
Anvisa aprova nova indicação de tratamento para pacientes com câncer na bexiga
O texto também garante a gratuidade das transações para pessoas físicas, o acesso não discriminatório à infraestrutura do sistema e mecanismos voltados à segurança e prevenção de fraudes.
Apesar das críticas presentes no relatório do USTR, integrantes do governo brasileiro avaliam que os Estados Unidos reconheceram parcialmente os argumentos apresentados pela delegação brasileira durante reuniões realizadas em Washington. Entre os pontos destacados estaria o papel do Pix na ampliação do acesso da população aos meios eletrônicos de pagamento e os ganhos de conveniência proporcionados pela ferramenta.
O governo brasileiro sustenta que as regras do Pix são aplicadas de forma uniforme e que empresas norte-americanas participam ativamente do ecossistema financeiro nacional. Além disso, ressalta que o Brasil é um dos maiores mercados globais para as principais bandeiras de cartões de crédito dos Estados Unidos.
Nos bastidores, representantes brasileiros também entendem que as críticas ao modelo de governança do Pix podem servir como justificativa para novas medidas tarifárias contra produtos brasileiros.
Lançado em novembro de 2020, o Pix tornou-se o principal meio de pagamento do país. Atualmente, mais de 170 milhões de brasileiros utilizam a plataforma. Em dezembro do ano passado, o sistema registrou recorde de 313,3 milhões de transações em um único dia.
Ao longo dos últimos anos, o Banco Central ampliou as funcionalidades da ferramenta, incluindo modalidades como Pix agendado, Pix por aproximação e Pix automático, consolidando o sistema como uma das principais inovações do mercado financeiro brasileiro.
Fonte: Polêmica Paraíba