O preço do barril de Brent, principal referência global para o mercado de petróleo, subiu mais de 42% desde o início da guerra no Oriente Médio, impulsionado pela queda nas entregas no Golfo Pérsico. A cotação passou de US$ 72,48 em 27 de fevereiro para cerca de US$ 103,14 nesta semana.
A valorização representa uma alta de 11% apenas nos últimos dias, refletindo o temor do mercado com possíveis interrupções no fornecimento global de energia.
Durante o pregão, o barril chegou a registrar alta de 3,2%, cotado a US$ 103,63, após ter recuado pela manhã para US$ 97,72. A instabilidade ocorre em meio à tensão geopolítica envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
Impactos nos mercados
A escalada dos preços do petróleo também provocou reflexos nos mercados financeiros globais. Bolsas de valores recuaram em Nova York, Europa e Ásia, diante do temor de aumento da inflação e desaceleração da economia mundial.
No Brasil, o dólar fechou em alta, sendo vendido a R$ 5,314, enquanto o índice Ibovespa encerrou o dia com queda de 0,91%.
Bloqueio no Estreito de Hormuz
Um dos principais fatores da disparada no preço do petróleo foi o bloqueio do Estreito de Hormuz pelo Irã. A região concentra cerca de um quinto de todo o comércio global de petróleo, e a interrupção da rota reduziu a oferta da commodity no mercado internacional.
Segundo a Agência Internacional de Energia, o conflito pode provocar a maior interrupção de abastecimento da história do mercado energético. Países do Golfo, como Iraque, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita reduziram a produção em cerca de 10 milhões de barris por dia, volume equivalente a quase 10% da demanda mundial.
Reservas estratégicas
Para tentar amenizar os impactos da crise, os 32 países-membros da AIE anunciaram a liberação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas de petróleo.
Analistas, no entanto, afirmam que a medida é apenas temporária. Segundo a economista Barbara Lambrecht, os preços devem continuar elevados enquanto o conflito persistir.
Reações políticas
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que o país manterá o bloqueio do Estreito de Hormuz como parte da estratégia no conflito.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou os impactos econômicos e declarou que derrotar o Irã é prioridade, mesmo diante da escalada nos preços do petróleo.
Para analistas do mercado financeiro, a falta de perspectiva de um acordo de paz é atualmente o principal fator de pressão sobre os preços da commodity e sobre os mercados globais.
Fonte: Polêmica Paraíba