Caneta espiã apreendida em alojamento do padre Robson é periciada, diz MP - BLOG DO GERALDO ANDRADE

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Caneta espiã apreendida em alojamento do padre Robson é periciada, diz MP

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Uma caneta espiã e outros materiais apreendidos durante a Operação Vendilhões, que investiga possíveis irregularidades na Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), criada pelo padre Robson Pereira de Oliveira, estão passando por um procedimento de espelhamento.


De acordo com o Ministério Público de Goiás, além da caneta, foram recolhidos documentos, computadores, pen drives e celulares que estava armazenada no alojamento do padre. O promotor de Justiça Sandro Henrique Silva Halfeld Barros explicou que todo o conteúdo de equipamentos eletrônicos tem de ser espelhado antes das análises, para garantir a integridade da prova.


Ainda conforme o promotor, ao menos 10 pessoas já foram ouvidas na investigação. Segundo Halfeld Barros, o foco das investigações são possíveis desvios de recursos, ocultação de valores, apropriação indébita e falsidade ideológica. O MP também investiga se houve transferência de dinheiro para terceiros, que teriam atuado como laranjas na aquisição de bens.


O promotor de Justiça afirmou ainda que a análise de documentos revelou que a Afipe pagou R$ 17 milhões pelo sino que estava previsto para ser instalado na nova Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade. O valor é maior do que o divulgado antes pela imprensa.


MP aponta desvio de dinheiro por meio da Afipe

De acordo com o MP-GO, o padre Robson e a Afipe, criada em 2004 e até então presidida por ele, usavam de “laranjas” e empresas de fachadas para desviar recursos oriundos de doações de fiéis e lavar dinheiro da entidade.


Na decisão que autorizou a Operação Vendilhões , a juíza Placidina Pires afirma que, “além da suposta utilização das doações dos fiéis para a aquisição de imóveis de elevado valor econômico, infere-se que investigados estariam envolvidos em um articulado esquema criminoso voltado ao desvio de verbas das Afipe e à consequente lavagem, dissimulação e ocultação dos recursos, por meio de ‘laranjas’ e empresas de ‘fachada’ – com vistas a dificultar o rastreamento do dinheiro e posterior ressarcimento dos danos suportados pela entidade religiosa”.



Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, no último dia 23, o padre negou que haja atividades ilícitas. “Não existe nenhuma má intenção, nenhuma atividade criminosa, nenhuma atitude [ilícita]. Agora, são números altos? São. Os números é que me condenam? Não. Porque tudo que a Afipe faz é dentro da regra, da finalidade e da lei”, disse o pároco.


Conforme o padre, o dinheiro das doações foi investido legalmente em imóveis e outras atividades econômicas para gerar mais dinheiro para a evangelização, em vez de ser aplicado em um banco, por exemplo.


“Entendemos que a melhor coisa seria: vamos fazer investimentos imobiliários, compramos fazendas, gados, fizemos investimentos que são totalmente dentro das finalidades da entidade, e por isso totalmente lícitos, e por isso a gente foi fazendo. Chegamos a um patamar grande”, disse o religioso ao Fantástico.



Fonte: Isto É

Créditos: Is